Análise da Qualidade do Ar Interior: Parâmetros, Métodos e Requisitos Normativos

4 min de leitura5 de maio de 2026

A qualidade do ar interior (QAI) é um tema de crescente relevância técnica e regulatória, especialmente em edificações com sistemas de climatização central, onde o ar circula continuamente entre ambientes internos sem renovação suficiente pelo ar externo. A concentração de poluentes nos ambientes internos pode ser duas a cinco vezes superior à concentração exterior, de acordo com dados da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), dado que justifica a necessidade de monitoramento sistemático e controle ativo das condições do ar.

No contexto brasileiro, a Resolução ANVISA RE 09/2003 estabelece os padrões referenciais de qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo. Essa resolução define os limites máximos aceitáveis para os principais poluentes monitorados, bem como os métodos analíticos a serem adotados nas avaliações.

Parâmetros físico-químicos e biológicos monitorados

Os principais parâmetros avaliados em uma análise completa de qualidade do ar interior incluem: contagem de fungos viáveis (valor máximo de 750 UFC/m³ conforme RE 09/2003, com ausência de fungos do gênero Aspergillus fumigatus e outros patogênicos primários); concentração de dióxido de carbono (CO2), cujo limite de 1.000 ppm indica inadequação da vazão de ar externo por pessoa; material particulado total em suspensão (limite de 80 µg/m³ para PM10); monóxido de carbono (CO), com limite de 9 ppm em 8 horas; compostos orgânicos voláteis totais (COVs); e parâmetros físicos como temperatura, umidade relativa e velocidade do ar.

A temperatura do ar deve ser mantida entre 23°C e 26°C no verão e entre 21°C e 24°C no inverno, com umidade relativa entre 40% e 65%, conforme a NBR 16.401. Esses parâmetros, quando fora das faixas recomendadas, contribuem para o desconforto térmico e potencializam os efeitos dos poluentes sobre a saúde dos ocupantes.

Metodologia de coleta e análise

A coleta de amostras para análise microbiológica é realizada por impactação em meio de cultura seletivo, utilizando amostrador volumétrico de ar tipo RCS ou similar, durante período padronizado conforme a densidade do ambiente. As amostras são incubadas em laboratório acreditado e os resultados expressos em unidades formadoras de colônias por metro cúbico (UFC/m³), com identificação dos gêneros fúngicos predominantes.

Para os parâmetros físico-químicos, utilizam-se analisadores portáteis com sensores eletroquímicos e fotoacústicos para medições em tempo real de CO2, CO e COVs, complementados por coletores passivos para análise cromatográfica de compostos específicos. A seleção dos pontos de amostragem deve seguir critério técnico baseado na planta de distribuição do sistema de climatização, contemplando zonas de retorno de ar, difusores de insuflamento e áreas de maior permanência de pessoas.

Síndrome do Edifício Doente e impactos na saúde

A Síndrome do Edifício Doente (SED) é caracterizada pela manifestação de sintomas inespecíficos em pelo menos 20% dos ocupantes de uma edificação, com melhora dos sintomas após afastamento do ambiente. Estudos epidemiológicos associam a SED principalmente à inadequação da renovação do ar, presença de contaminantes microbiológicos nos sistemas de climatização e emissão de COVs por materiais de construção e mobiliário.

A Schaltz Engenharia realiza avaliações completas de qualidade do ar interior, desde o planejamento da campanha de medições até a emissão do laudo técnico com diagnóstico e recomendações de controle, em conformidade com as exigências da ANVISA e as normas técnicas vigentes.

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