Termografia Infravermelha: Aplicações na Manutenção Preditiva Elétrica

3 min de leitura6 de maio de 2026

A termografia infravermelha é uma técnica de inspeção não invasiva que permite identificar anomalias térmicas em equipamentos e instalações elétricas sem a necessidade de desligamento dos sistemas ou contato físico com os componentes inspecionados. Por meio de câmeras termográficas, é possível detectar pontos quentes gerados por conexões frouxas, desequilíbrio de cargas, sobrecargas, falhas em isolamentos e defeitos em componentes eletrônicos antes que evoluam para falhas catastróficas.

Do ponto de vista físico, todo corpo com temperatura acima do zero absoluto emite radiação eletromagnética na faixa do infravermelho. A câmera termográfica capta essa radiação e converte o sinal em uma imagem colorida — o termograma — na qual diferentes temperaturas são representadas por diferentes cores ou tons de cinza, dependendo da paleta configurada. A análise do termograma permite ao engenheiro identificar gradientes térmicos anormais e correlacioná-los com condições de falha iminente.

Normas técnicas aplicáveis

No Brasil, a inspeção termográfica em instalações elétricas é orientada pela NBR 15.663, que estabelece requisitos mínimos para a execução, análise e emissão de laudos termográficos. Internacionalmente, a norma IEC 60664 e os documentos da International Electrical Testing Association (NETA) fornecem critérios complementares para classificação de severidade das anomalias encontradas.

A classificação das anomalias térmicas geralmente segue três níveis de severidade: nível 1, com diferença de temperatura até 15°C acima da referência, indicando acompanhamento; nível 2, entre 15°C e 35°C, exigindo correção em curto prazo; e nível 3, acima de 35°C, demandando intervenção imediata. Esses critérios podem variar conforme a norma adotada e o tipo de equipamento inspecionado.

Aplicações em sistemas elétricos industriais e prediais

Em painéis de distribuição elétrica, a termografia permite identificar conexões com resistência de contato elevada, fusíveis com capacidade reduzida, disjuntores com aquecimento interno excessivo e barras de distribuição com desequilíbrio de carga. Em motores elétricos, é possível avaliar o estado dos rolamentos, identificar sobrecargas e detectar falhas no estator antes que causem queima do enrolamento.

Em subestações de média tensão, a técnica é especialmente valiosa para inspeção de chaves seccionadoras, transformadores, pára-raios e conexões de cabos de alta tensão, onde qualquer intervenção implica procedimentos complexos de desenergização e isolação. A termografia permite priorizar as intervenções com base em critérios objetivos de risco, otimizando os recursos de manutenção disponíveis.

Limitações e condições de ensaio

Para que os resultados sejam confiáveis, é necessário que os equipamentos estejam operando com carga mínima de 40% da capacidade nominal durante a inspeção. Reflexos de fontes externas de calor, como luz solar direta ou outros equipamentos aquecidos, podem introduzir erros de interpretação se não forem devidamente considerados pelo termografista. A emissividade dos materiais inspecionados também deve ser configurada corretamente na câmera para garantir a precisão das leituras de temperatura.

A Schaltz Engenharia realiza inspeções termográficas com equipamentos de alta resolução e profissionais certificados pelo Nível I e II em termografia, emitindo laudos técnicos detalhados com recomendações de manutenção baseadas em critérios normativos.

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