Você sabe qual é a demanda elétrica do seu negócio? Se a resposta for não — ou um número achado no senso comum —, você provavelmente está pagando mais do que deveria na conta de energia, ou correndo o risco de ter sua instalação interditada por sobrecarga. Calcular a demanda elétrica corretamente é o ponto de partida de qualquer projeto elétrico sério.
O que é demanda elétrica?
Demanda elétrica é a potência máxima que uma instalação consome em um determinado intervalo de tempo — geralmente medida em kW (quilowatts). Não confunda com consumo (kWh, quilowatt-hora): o consumo é quanto de energia você usa ao longo do tempo; a demanda é o pico de potência que você pode exigir da rede em um momento específico.
Para a concessionária de energia, a demanda determina a capacidade que ela precisa reservar para você — e é por isso que contratos de média tensão cobram uma “demanda contratada”. Ultrapassar essa demanda gera multas. Contratar demanda além do necessário gera desperdício.
Por que o cálculo correto é tão importante?
- Dimensionamento do padrão de entrada: o ramal de entrada, o disjuntor geral e o medidor precisam ser dimensionados para a demanda real
- Custo na conta de energia: consumidores de média tensão pagam pela demanda contratada — mesmo que não a utilizem
- Segurança da instalação: uma instalação subdimensionada superaquece, causa trips e pode causar incêndios
- Aprovação de projetos: shoppings, Corpo de Bombeiros e concessionárias exigem o memorial de cálculo de carga
Como é feito o cálculo de demanda elétrica?
O cálculo segue a ABNT NBR 5410 e as normas da concessionária local. O processo básico envolve:
1. Levantamento de todas as cargas
Liste todos os equipamentos elétricos da instalação com suas potências em watts ou kW: ar-condicionados, iluminação, equipamentos de cozinha, freezers, compressores, motores, computadores, sistemas de segurança etc.
2. Aplicação de fatores de demanda e utilização
Nem todos os equipamentos funcionam ao mesmo tempo na potência máxima. A norma prevê fatores de demanda que reduzem a soma total para refletir a utilização real. Por exemplo, o fator de demanda para iluminação comercial é geralmente 1,0 (tudo ligado); para tomadas de uso geral, pode ser 0,5 a 0,7.
3. Cálculo da demanda total
Soma das cargas ajustadas pelos fatores = demanda de projeto. A ela se adiciona uma reserva de capacidade (geralmente 20 a 30%) para futuras expansões.
4. Verificação com a concessionária
A concessionária define o nível de tensão de fornecimento conforme a demanda: até cerca de 75 kW, o fornecimento é em baixa tensão; acima disso, exige-se subestação própria em média tensão.
Exemplos práticos de demanda por tipo de negócio
- Restaurante de 100 m²: 30 a 60 kW (equipamentos de cozinha + climatização + iluminação)
- Academia de 300 m²: 40 a 80 kW (climatização + iluminação + equipamentos)
- Loja de vestuário em shopping (100 m²): 15 a 30 kW
- Loja de alimentação rápida (fast food) em shopping (80 m²): 40 a 70 kW
- Clínica médica de pequeno porte: 20 a 40 kW
O que acontece quando a demanda é mal calculada?
Subdimensionamento: disjuntores tripando com frequência, fiação superaquecendo, ar-condicionado que não resfria porque a tensão cai quando tudo está ligado, e risco real de incêndio elétrico.
Superdimensionamento: investimento inicial desnecessariamente alto em transformadores e cabos, e custo mensal elevado de demanda contratada não utilizada — em média tensão, isso pode representar milhares de reais perdidos por mês.
Quem pode fazer o cálculo?
O cálculo de demanda elétrica deve ser feito por engenheiro elétrico habilitado, que emite a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) pelo projeto. Não é uma tarefa para um eletricista sem formação técnica — os fatores de correção, as normas da concessionária e o dimensionamento de proteções exigem formação específica. Um bom projeto elétrico não é custo: é economia garantida desde o primeiro mês de operação.